O ENEAGRAMA DAS PERSONALIDADES

Nesta página você encontra textos e testes online (autotestes) sobre o Eneagrama. Os textos introdutórios, são interessantes para iniciar, as Considerações finais, entretanto, dão uma idéia geral mais profunda. Leia em sequência ou use os links:                                                                                                                    VOLTAR                                                                                   
Alertas iniciais sobre o uso do Eneagrama
Teste online do Eneagrama (novo)
Teste online distributivo (novo)
Uma introdução
Tipologias e o Eneagrama
Tradução do RHETI Personality Test
Teste publicado (Revista Ecomomia #40 do EM)
Sobre o nascimento do ego
Considerações finais (um texto marcante)

 


Observações:


1-A formação Matemática do símbolo Eneagrama, que abordei nas entrevistas de 13 e 18/04/2001 no programa "Conta Corrente da GNT", divulgada no ocidente pelo notável Gurdjieff, não está sendo considerada aqui. Estamos abordando o Eneagrama como um "mapa" das personalidades humanas.

2- Para os que dominam inglês, recomendo o site do
Enneagram-monthly que, além de outros assuntos, possui uma lista com referências de bons sites sobre o Eneagrama.

3- Os assuntos envolvidos na criação da nossa personalidade, da personalidade da criança que fomos e, de uma certa maneira, ainda somos, são extremamente difíceis de serem abordados. Normalmente, as pessoas que têm filhos são as que sentem maior dificuldade em "lembrar" de si mesmas. A tendência é pensar em como agiram com seus filhos e se defenderem. Não se trata de buscar culpados e sim de aceitar realidades e crescer! Enquanto você, mãe ou pai, não aceitar que tinha um sonho pessoal a ser realizado pelo seu primogênito(a), não aceitar ter querido que aquela criança pudesse ser o que você não foi, não vai entender como seus pais também foram "insensíveis"! Não vai entender que você criou um "ego", criou -"se" para ser amado por eles!

 

ALERTAS SOBRE O USO DO ENEAGRAMA

Tenho relutado, tanto em expandir o tópico Eneagrama nas disciplinas da FGV, quanto em ser mais "agressivo" com a divulgação de cursos abertos. Após pensar sobre isso, resolvi resumir aqui alguns pontos que me preocupam sobre a utilização desta fantástica ferramenta de autoconhecimento.

Para quem acabou de conhecer o Enegrama, esses pontos podem não fazer muito sentido. Tudo bem, deixem para retornar a eles mais tarde. As pessoas que já o estudam há mais tempo, com certeza vão perceber as armadilhas e os alertas a seguir:

FOCO NOS COMPORTAMENTOS
Aprender sobre o Eneagrama não é difícil, sua parte básica, para propósitos práticos, é relativamente fácil. Porém, compreender e absorver suas nuances leva bem mais tempo. Assim, são comuns confusões entre comportamentos e motivações íntimas: "Meu marido atrai a atenção das pessoas, ele é um Três?"; "O Dois sempre gruda no carro da frente quando dirige. Quer estar próximo!"; "Sou um Cinco, que tipo devo namorar?" O alerta é: Todos os tipos podem ter um mesmo comportamento, com motivações íntimas diferentes. Além disso, uma grande faixa de comportamentos são comuns a todos nós, afinal, somos semelhantes.

RÓTULOS E INTOLERÂNCIA
Ninguém gosta de ser rotulado. A ironia do Eneagrama é que ele nos mostra os rótulos que já nos envolveram. É verdade que os rótulos e os números podem limitar nossa percepção. É quase um problema de substantivos. Dizer que, ele é um "Três" é um "Realizador" ou um "Artista", é bem diferente de dizer que um Três é "uma pessoa que tem necessidade interior de realizar e atuar". Novamente a diferença entre o resultado e a motivação interior. Daí nascem afirmações como: "Não marco encontros com Setes porque eles sempre atrasam!", "Não aguento os Oito, eles cobram muito!". O alerta é: Perceba a pessoa antes, verifique de onde afloram os comportamentos e, só então, a compulsão do Ego. Goste ou não, procure sempre observar sem julgamento!

IDENTIDADE CRISTALIZADA
Assim como podemos rotular os outros, podemos nos rotular e criar uma espécie de permissão para assumirmos uma nova e mais conhecida identidade. "Como sou um Dois, eu naturalmente elogio as pessoas!". Naturalmente coisa nenhuma! O ego está defendendo um comportamento compulsivo, que não deixa escolhas. Alerta: Trabalhar com o Eneagrama requer honestidade ao longo de todo o caminho.

MISTIFICANDO O ENEAGRAMA
Transformar o Eneagrama em uma espécie de religião pode ser uma tentação. Dizer que o Enegrama é uma "sabedoria milenar" foi sem dúvida um apelo mercadológico. Daí pensar que o Eneagrama tem poderes ocultos ou que pode fazer algo por si mesmo é, no mínimo infantil. Esta crença , de uma certa maneira, tira nossa responsabilidade no processo. "Quando eu entender melhor o sistema, ele me mudará!" O Eneagrama é uma ferramenta. Detalhado psicologicamente como está hoje, não tem 50 anos. É provavel que seja um conhecimento milenar, porém, o alerta é: O Eneagrama é uma ferramenta de diagnóstico, de autoconhecimento, não uma entidade
.

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO ENEAGRAMA

Imagine um guerreiro antigo que treinou desde seus 6 anos de idade para lutar com espadas. Com 20 anos de idade, esse guerreiro é imbatível na luta! Seus adversários caem um após o outro. Os inimigos o respeitam, observam sua habilidade e treinam para enfrentá-lo. Até que começam a notar suas fraquezas. Ele é finalmente morto dentro de uma carruagem. Lá ele não podia usar sua espada!

Esse guerreiro foi excelente, como não podia deixar de ser, na habilidade com a espada. Era tão bom que nem precisava treinar muito com facas, arco e flecha etc. Teve muito sucesso com sua especialização. Habituou-se tanto que hoje tem uma perigosa tendência de escolher sempre a espada.

Este guerreiro pode ser você! Há um pouco dele em cada um de nós. Desde os 6 anos de idade treinamos alguma maneira de sermos aceitos e conseguir o que queremos dos outros, do "mundo". Nos especializamos com uma espada. Sabemos usar outras "armas", porém sempre temos tendência a escolher aquela com a qual nos sentimos mais seguros, principalmente em situações críticas.

Assim, uma pessoa pode decidir "treinar-se" no uso da "verdade" ela sempre vai buscar a verdade, esclarecer e deixar as coisas "transparentes". Isso funcionou na família, e continuou funcionando na escola e com os amigos. Ela passou a ser respeitada e conseguiu vencer. Isso é bom e importante. Acontece que esta é a única habilidade que ela resolveu desenvolver. Um dia ela descobre que a verdade é relativa. Depende do contexto, da situação no tempo e no espaço; como parece ter dito Ghandi: "Sou coerente com a verdade e, como a verdade muda, reservo-me o direito de ser incoerente". Neste momento essa pessoa começa a ficar insegura, não sabe lidar com aquilo que considera mentira.

Essa metáfora nos ajuda muito na compreensão do que um conhecimento, chamado Eneagrama, pode nos ensinar. O Eneagrama pode nos ajudar muito a descobrir qual foi a "habilidade" que decidimos desenvolver para lidar com a vida. Essas habilidades acabaram se tornando compulsões de comportamento, maneiras "mecânicas" e limitadas de encarar o mundo e os relacionamentos.

As idéias são tão antigas que já foram abordadas pela maioria das grandes religiões. As habilidades que escolhemos relacionam-se diretamente com paixões humanas bem conhecidas e divulgadas, às vezes até deturpadas, ao longo do tempo.

Segundo o Eneagrama, existem 9 (do Grego: Enea = nove; grama= traço, ponto) paixões ou fixações. Temos todos um pouco de cada uma delas, dependendo da situação. Porém, cada um de nós escolheu e desenvolveu uma delas como "espada". Inicialmente foi uma virtude que escolhemos para conseguirmos ser amados e aceitos. Com a compulsão no uso, nasceu um lado negativo, vicioso. Como a referência a esse resultado negativo é mais comum, talvez até por serem tradicionalmente conhecidos, eles estão listados abaixo. Simplificando, cada um corresponde a um tipo de personalidade ("ego" ou "fixação do ego"). Por exemplo, a paixão do E1 (tipo 1 do Eneagrama) é a perfeição que, por não ser possível, gera resentimento ou raiva (ira). É importante notar que em cada caso, a "contra-paixão", se equilibrada, é natural. Assim, a raiva, em si, é natural, porém a raiva constante e reprimida gera frustração consigo mesmo e com o mundo.

IRA - Ela nasce da busca da perfeição. Ficamos com raiva por tudo não ser perfeito. Buscamos a perfeição em nós e nos outros como o bem maior. Assim, o E1 é minucioso, cuidadoso e crítico.

ORGULHO - Ele nasce do esquecimento das nossas necessidades. Queremos ajudar, ser bons, não precisamos de nada. Não sabemos nem pedir. O E2 é prestativo, compreensivo e paciente em aguardar o sucesso.

VAIDADE - Nasce do desejo de sermos admirados pelo que fazemos. Nem sabemos quem somos, sentimos que os outros só nos amam se temos sucesso. O E3 é a imagem do sucesso, e demonstra.

INVEJA - Nasce porque percebemos a beleza nas outras pessoas e não conseguimos perceber a nossa. Somos sensíveis, profundos e invejamos a "beleza" dos outros. O E4 é "diferente", vive no passado.

AVAREZA - Nasce porque temos medo de perder o que temos e ficarmos vazios. O que temos é precioso; conhecimento, afeição, não só dinheiro. O E5 é solitário, estudioso, técnico e observador.

MEDO - Nasce porque percebemos o mundo como um lugar cheio de perigos e de conspirações. Se não nos dizem algo, deve ser porque tem algo que pode nos ameaçar. O E6 é desconfiado, leal e vigilante.

GULA - Nasce do medo da "abundância" acabar. Como somos especiais, merecemos mais de tudo que é bom. A comida é o item mais mal interpretado neste caso. O E7 é genial, é o máximo!

LUXÚRIA - Nasce da nossa necessidade de adrenalina. Queremos ser notados, respeitados. Queremos controlar tudo e todos. O E8 é confrontador, defende os fracos, vê as pessoas como alvos.

INDOLÊNCIA - Nasce de nos sentirmos completos. Se estivermos em harmonia com o universo sempre alguém cuidará de nós. O E9 é mediador, evita confrontos, todo mundo se preocupa demais!

Mas afinal, o que é o Eneagrama? Impossível saber sem vivenciá-lo. Resumindo, é um sistema de análise de comportamento que nos leva a uma profunda percepção sobre o ser humano. O símbolo parece ter origens muito antigas e sua interpretação ter sido sigilosa por muito tempo. Diversos autores que o estudaram situam sua origem entre 3.500 e 2.000 anos atrás.

Tomei conhecimento da sua interpretação relativa aos tipos de egos humanos que, ao que tudo indica, foi recentemente (1960) organizada e desenvolvida por Oscar Ichazo para ser usada como uma ferramenta profunda de autoconhecimento e compreensão humanas. O Dr. Cláudio Naranjo, foi também, nos Estados Unidos, um dos pioneiros no estudo do Eneagrama das personalidades.

O Eneagrama tem em comum com as outras tipologias a "simplificação" do comportamento humano, compartimentando-o a um limitado número de tipos similares. Algumas pessoas dizem que não podemos colocar os seres humanos em "caixas". Penso que outra maneira de lidar com isso seria aceitar que já estamos em "caixas" e o Eneagrama nos ajuda a enxergar e entender nossa caixa para podermos sair dela! De dentro, essa caixa é bem diferente do que quando vista de fora!

Mesmo com intenções positivas, é muito fácil utilizarmos mal uma ferramenta como esta no ambiente empresarial. É grande a tendência para usá-la como um tipo de "pacote" pronto. Escolho um E8 porque ele é duro nas negociações. Só vou contratar E7 e E3 para vendas. Não, o Eneagrama não pode levar em consideração todas as nuances relacionadas aos talentos, habilidades, inteligência e simpatia que usamos para nos relacionar com os outros. Precisamos evitar perceber as pessoas como esteriótipos do seu número no Eneagrama. Aliás, o nível da compulsão varia muito.

Então porque deveriam os executivos e os funcionários entender os tipos do Eneagrama?

Nas empresas, a vantagem competitiva do Eneagrama reside em saber como você e seus colegas de trabalho pensam, sentem e classificam as informações relacionadas ao seu trabalho. Apesar de um E-tipo não ser melhor que o outro, cada um vê o trabalho através da sua lente perceptiva. Antecipar o processo de tomada de decisões das pessoas de uma equipe pode ser um fantástico fator de coesão. Elas saberem mais sobre suas motivações também!

Além disso, como entender o profundo respeito que um E1 tem por você quando decide criticá-lo? Você poderia ficar até mais receptivo para suas críticas! Como perceber, sem conhecer a lente perceptiva de um E6, que duvidar de si mesmo e dos outros é uma maneira de firmar compromissos?

O Eneagrama já foi usado, e provavelmente continue sendo, por empresas como Boeing, Motorola, VLSI Technology etc, para treinamento de seus executivos. No Brasil, sócios e executivos de várias empresas o utilizam, das que tenho conhecimento, as maiores são a Amil e o Banco do Brasil. As informações sobre sua utilização não são tão populares, na minha opinião, pela seriedade e comprometimento com que essas empresas o estão utilizando.

O tópico sobre o Eneagrama que ministro, há mais de 9 anos, em disciplinas dos MBA's da FGV sempre desperta muito interesse nos alunos. Vários já me reportaram estarem utilizando nas empresas.

Foi surpresa para mim, estar sendo o precursor, no Brasil, da divulgação do Eneagrama em cursos formais de pós-graduação para executivos. Nos Estados Unidos, várias universidades ministram cursos sobre o Eneagrama. Entre elas podemos citar: Loyola University, Chicago, Illinois; Stanford University, Palo Alto, California; University of North Florida, Jacksonville.

Uma última palavra pode também explicar a não popularidade do Eneagrama. Não é uma ferramenta para os outros usarem para nós, é uma ferramenta que só nós mesmos poderemos usar. Ninguém, com experiência, vai "fazer" o Eneagrama de ninguém. Não se faz um Eneagrama! É um trabalho pessoal e intransferível. Os testes e as pessoas que o estudam, podem apenas ajudar e orientar na busca. A percepção e os benefícios de entender melhor os outros, de melhorar suas habilidades de comunicação, de negociação e de motivar pessoas, só ocorrem quando você trabalha para perceber e conhecer a si mesmo!                               

Frederico Port

 

 

 

OUTROS TEXTOS - ENEAGRAMA

TIPOLOGIAS COMPORTAMENTAIS E O ENEAGRAMA

O ENEAGRAMA é um sistema de análise de comportamento que nos leva a uma das mais profundas percepções sobre o ser humano. Sua interpretação relativa aos tipos de egos humanos foi, pelo que sei, organizada e desenvolvida por Oscar Ichazo para ser usada como ferramenta de autoconhecimento. Oscar e o Instituto Arica, por ele fundado, continuam estudando e aperfeiçoando o sistema. O autor de um dos livros da bibliografia, Dr. Cláudio Naranjo, foi também, nos Estados Unidos, um dos pioneiros no estudo do Eneagrama das personalidades. Resolvi divulgá-lo para transmitir toda a profundidade e sabedoria que percebi em sua compreensão, motivando as pessoas a iniciar uma corajosa viagem para dentro de si mesmo.

O Eneagrama tem em comum com as outras tipologias a "simplificação" do comportamento humano, compartimentando-o a um limitado número de tipos similares. Todas as tipologias têm a desvantagem de, aparentemente, desconsiderar a originalidade, as peculiaridades e as nuances de cada indivíduo. Por isso muitos psicólogos lhes fazem grandes e compreensíveis restrições. É grande o perigo de definir uma pessoa (ou definir-se) como pertencente a um determinado tipo ou signo zodiacal e aí deixá-la acomodada. A utilização das "regularidades" no comportamento humano só tem sentido quando existe possibilidade de mudança.

De qualquer maneira, talvez todos usemos tipologias no cotidiano. Já observei amigos meus que, apesar de não gostarem de tipologias, concordavam ou usavam afirmações do tipo "mulheres dirigem mal" ou "o pessoal de Informática é muito frio". Pelo que percebo, somos seres únicos mas,...que as regularidades existem, existem. A libertação desse ciclo programado ou, pelo menos, a consciência dele pode nos trazer um crescimento e uma paz muito grande.

O Eneagrama oferece esta possibilidade. Nosso ego (personalidade) não é bom nem é ruim, é apenas um ego, inteligentemente criado para agradar os "outros" e defender nossa essência das agressões. De qualquer maneira, nós não somos nossos egos...

Apesar de estarmos enfatizando o Eneagrama, existem várias outras tipologias, algumas aceitas no meio acadêmico, outras, nem tanto. Estão listadas abaixo várias tipologias conhecidas, algumas usadas no meio empresarial nas últimas décadas. Nenhuma delas é universal e nenhuma delas detém - se existir! - a verdade exclusiva . Cada uma delas pode ser comparada a um mapa que visa facilitar a visão geral do reino do "espírito" humano. Como os mapas podem ser geológicos, políticos, viários etc as tipologias têm interesses peculiares e portanto, podemos ter diferentes preferências na utilização delas.

Além disso, cada uma dessas tipologias foi desenvolvida e organizada por uma ou várias pessoas, assim, elas estão, provavelmente "embebidas" da percepção que essas pessoas tiveram ou têm da vida. Nossa própria percepção da ferramenta que chamamos de mapa vai alterar-se após cada visita ao território. É como acontece após explorarmos um território e depois voltar a olhar para o mapa dele, já não será mais o mesmo mapa.

RESUMO DE TIPOLOGIAS

1. Astrologia - 12 tipos relacionados à posição do zodíaco onde se encontra o sol - em movimento - à época do nascimento. Academicamente, questiona-se a confiabilidade desse pressuposto.

2. Hipócrates (377 AC) - Sangüíneo, melancólico, colérico e fleumático. 377 AC! Pode não ter sido de sua autoria mas, observando os humanos hoje, será que precisamos nos preocupar com direitos autorais?

3. Carl Gustav Jung (1923) - Três pares de funções distintas: extroversão/introversão, sensitividade/intuição, pensamento/sentimento - levam a 8 combinações (tipos) possíveis. As teorias de Jung geraram várias outras tipologias de estilos de comportamento social.

4. Isabel Briggs Myers (atual) - Inclui mais um par: percepção/julgamento - leva para 16 o número de tipos. O "Myers-Briggs Type Indicator" (MBTI) foi muito popular nos EUA na década de 1980. Está sendo usada no Brasil.

5. Karen Horney (1952) - Quatro maneiras de proteção contra o medo fundamental: amor, submissão, poder e distanciamento.

6. Fritz Riemann (1979) - Quatro medos humanos básicos: medo de proximidade, de distância, de mudança, de estabilidade.

7. Eneagrama (2.500 AC ?) - 9 tipos de personalidades. Está sendo estudada e validada - desde 1960 - em relação, tanto aos conhecimentos atuais de psicologia e psiquiatria, quanto às outras tipologias. Profunda e parece harmonizar o científico com o "espiritual". Tem sido utilizada por várias empresas nos últimos dez anos. Em1994 comecei a estudá-la profundamente devido à sua simplicidade, concisão e efeitos que senti no processo de autoconhecimento!

 

TRADUÇÃO DO RHETI PERSONALITY TEST
(
leia com atenção antes de qualquer "clicada"!)

O RHETI (Riso Hudson Enneagram Type Indicator) é um dos principais testes para determinação do E-tipo. Já muito divulgado nos EUA, parece estar sendo aceito na comunidade acadêmica americana. É possível responder e tabular, on-line, uma amostra de 36 questões do teste! Para isso, você deverá entrar no site do Don Riso e do Russ Hudson. Preparei dicas e uma "tradução" dessas 36 questões abaixo. Sugiro respondê-las antes, anotar qual a alternativa escolhida para cada questão, seguir as instruções para entrar no site e obter o resultado do teste. Se Inglês for seu segundo idioma, vá direto! Em Português, reserve uns 15 minutos!

RHETI EM PORTUGUÊS (DICAS)

Evite ficar pensando em detalhes, responda "sentindo" como você tem sido ao longo de sua vida. Não precisa responder todas, mas seria bom. No site, para cada pergunta, são duas "bolinhas para clicar" ("radios"), se errar, clique na correta que a outra apaga. A tradução não é ao "pé da letra" por diferenças culturais. Comentários para melhorá-la serão benvindos! As instruções para entrar no site estão após as perguntas. Bom teste!

1- Eu tenho sido
0 - romântico, divagador e imaginativo
0 - prático e com os pés no chão

2 - Tenho tido tendência a
0 - confrontar as pessoas
0 - evitar confrontos

3 - Tenho sido tipicamente
0 - diplomático, cativante e ambicioso
0 - direto, formal e idealista

4 - Tenho tido tendência a ser
0 - direto, "focado" e "intenso"
0 - espontâneo e divertido

5 - Tenho sido uma pessoa
0 - hospitaleira e que gosta de fazer novas amizades
0 - reservada e não muito social

6 - Geralmente é
0 - fácil me tirar do sério
0 - difícil me provocar

7 - Tenho sido mais um
0 - tipo esperto e astuto
0 - tipo pensador idealista

8 - Tenho
0 - tendência a demonstrar afeição pelas pessoas
0 - preferência por manter uma certa distância

9 - Para uma nova experiência, me pergunto se
0 - poderá ser útil para mim
0 - será agradável ou não

10 - Minha tendência tem sido focalizar mais
0 - em mim
0 - nos outros

11 - Os outros contam mais com
0 - minhas idéias e conhecimento
0 - minha força e capacidade de decisão

12 - Tenho demonstrado ser muito
0 - inseguro (de si)
0 - seguro (de si)

13 - Tenho sido mais orientado
0 - para pessoas do que para objetivos
0 - para objetivos do que para pessoas

14 - Eu
0 - não sou muito direto, não me "coloco" muito
0 - sou franco, "sem papas na língua" - outros gostariam de dizer, eu digo!

15 - Tem sido difícil
0 - parar de considerar alternativas e agir
0 - relaxar e ser mais flexível

16 - Tenho tido tendência para ser
0 - hesitante e para "empurrar com a barriga"
0 - ousado e dominador

17 - Tenho mais problemas com as pessoas por
0 - relutar em me envolver muito
0 - ansiar que as pessoas contem comigo

18 - Usualmente
0 - consigo colocar os sentimentos de lado para agir
0 - preciso organizar meus sentimentos antes de poder agir

19 - Geralmente eu
0 - sou metódico e cauteloso
0 - sou aventureiro e corro riscos

20 - Tenho tendência para
0 - dar apoio, ser uma pessoa generosa que gosta de estar com outros
0 - ser uma pessoa séria, mais resevada, que gosta de discutir idéias

21 - Freqüentemente sinto necessidade de
0 - ser uma "pilastra forte e resistente"
0 - fazer tudo com perfeição

22 - Tipicamente sou interessado em
0 - fazer perguntas difíceis e manter minha independência
0 - manter minha estabilidade e paz de espírito

23 - Tenho sido muito
0 - cético e um "osso duro de roer"
0 - sentimental e "coração mole"

24 - Freqüentemente me preocupo
0 - de talvez estar perdendo alguma coisa melhor
0 - que, se eu abaixar a guarda, alguém vai tentar levar vantagem

25 - Meu hábito de
0 - ser reservado já incomodou outras pessoas
0 - dizer o que as pessoas devem fazer já incomodou algumas delas

26 - Geralmente, quando tenho problemas
0 - sou capaz de desligar-me deles
0 - faço alguma coisa que gosto para compensar

27 - Eu
0 - posso contar com meus amigos e eles sabem que podem contar comigo
0 - não conto com as pessoas; eu mesmo cuido de mim

28 - Minha tendência tem sido
0 - ser objetivo e preocupado
0 - ser instável e estar comigo mesmo

29 - Gosto de
0 - desafiar e "sacudir" as pessoas
0 - acalmar e confortar as pessoas

30 - Tenho sido geralmente uma pessoa
0 - extrovertida e sociável
0 - séria e autodisciplinada

31 - Eu normalmente
0 - sou tímido para mostrar minhas habilidades
0 - gosto que as pessoas saibam o que faço bem

32 -
0 - Lutar pelos meus interesses pessoais é mais importante que conforto e segurança
0 - Ter conforto e segurança é mais importante que lutar por meus interesses pessoais

33 - Quando tenho conflito com os outros
0 - tenho tendência a recuar, "me fechar em copas"
0 - raramente recuo

34 - Eu tenho
0 - desistido muito fácil e feito o que as pessoas querem
0 - sido muito radical e exigente com os outros

35 - Sou geralmente apreciado por
0 - meu alto astral e senso de humor
0 - minha firmeza tranqüila e minha excepcional generosidade

36 - Muito do meu sucesso tem sido
0 - pelo meu talento em causar uma boa impressão
0 - conseguido apesar de não me interessar em desenvolver habilidades interpessoais

Já com as respostas da tradução, vá direto ao teste no site do ENNEAGRAM INSTITUTE, (o teste está após as explicações iniciais) responda e tabule (score). Não esqueça de imprimir o resultado, ele não ficará lá! Além disso, os direitos autorais são deles e, os da tradução..., bem adivinhe...Não se esqueça também de ler os alertas sobre o uso do Eneagrama! Para voltar aqui, use a seta do seu "browser". Boa jornada!

 

 

 

 


ENEAGRAMA - TESTE DE ORIENTAÇÃO DO TIPO (EGO)

OBS.: Ainda estou mantendo o teste abaixo mas recomendo os dois testes online (auto-testes) que disponibilizei recentemente: um deles com opções e perguntas e o outro, mais "distributivo", apenas com perguntas, totalizando cada um dos E-tipos. Semelhantes a este, com enfoque um pouco diferente e, principalmente, são online! Agradeço "feedbacks".

Este pequeno teste pode ajudar na sua percepção de si mesmo com relação aos tipos do Eneagrama. Para facilitar, existe uma triagem inicial. Usando essa triagem você talvez não precise responder todas as questões, responda apenas aquelas com a letra inicial escolhida. Boa sorte!

Leia os três primeiros parágrafos da Percepção Prévia e escolha o que mais diz respeito a você. É claro que pode não ser um encaixe perfeito, mas aquele que você se identifica mais. A seguir, responda, colocando valores de 0 a 3, as questões que iniciam com a letra que você escolheu. Some os valores. Dos três grupos, o grupo com o maior total, pode orientar sua busca no Eneagrama!

PERCEPÇÃO PRÉVIA:

A - Você percebe sua vida mais como uma aventura, um conjunto de desafios e que você pode controlar a maioria dos acontecimentos, normalmente de maneira ativa, porém também com sua percepção dos outros. Você se percebe com os pés no chão, bem situado com relação às outras pessoas. Gosta também que percebam a sua presença.

B - Você sente sua vida mais como um jogo, emoções e razão sempre presentes, um jogo delicado, onde as pessoas são "gente" e não dá para fugir disso. Entretanto, emoções precisam conviver com a razão, mesmo que, às vezes, isso possa ser frustrante.

C - Você analisa sua vida mais como um "quebra-cabeças", cheio de detalhes para serem encaixados e formarem uma figura lógica. As coisas podem ser planejadas e previstas, desde que você esteja alerta e prestando atenção ao que acontece à sua volta. Afinal de contas, as coisas podem ser razoavelmente previsíveis.

A-E1
( ) Freqüentemente me incomodo porque as coisas e pessoas não são como deveriam.
( ) Em geral, um último e até pequeno, detalhe pode estragar tudo para mim.
( ) Acho que poderia relaxar, brincar mais, às vezes, percebo-me muito sério.
( ) Sinto que analiso as coisas em termos de bom ou mau, certo ou errado.
( ) Ocupado, interrupções quebram minha concentração e, interiormente, me enraivecem.

A-E8
( ) Sou muito bom em levantar e lutar por aquilo que quero. Luto por justiça.
( ) Percebo intuitivamente os pontos fracos dos outros e ataco lá se for provocado.
( ) Não tenho medo de confrontar pessoas e, normalmente, eu as confronto.
( ) Eu protejo as pessoas que estão sob minha autoridade ou jurisdição.
( ) Geralmente eu não ligo muito para introspecção e auto-análise.

A-E9
( ) Sou quase sempre calmo e pacífico, discussões me incomodam, se posso, fujo delas.
( ) Sou uma pessoa extremamente tranqüila mas faço o que quero sem ceder a pressões.
( ) Depois que já fiz minhas "obrigações", odeio ser tirado do meu canto.
( ) Aceito ser bom ouvinte, não faço questão de dizer o que sinto, mesmo discordando.
( ) Identifico-me com quem amo, a família, grupos etc, nisto sinto-me dependente.

B-E2
( ) Eu sou, acima de tudo orgulhoso do que faço para os outros.
( ) É bom sentir-me importante na vida de outros. É gratificante qdo precisam de mim.
( ) Muitas vezes sinto-me atrapalhado pela dependência que os outros têm de mim.
( ) Gosto de sentir-me próximo (íntimo) das pessoas que considero.
( ) Com tempo disponível, geralmente ouço, tentando compreender e ajudar as pessoas.

B-E3
( ) Sucesso é uma palavra importante para mim, prefiro não enfatizar fracassos.
( ) Considero que projetar uma imagem de sucesso é tão importante quanto atingi-lo.
( ) Odeio quando me dizem que alguma coisa que estou fazendo não está funcionando.
( ) Sei que preciso de várias realizações para que as pessoas possam me notar e admirar.
( ) Posso mostrar-me otimista e animado em grupo mesmo, no fundo, não estando.

B-E4
( ) Tenho uma saudade quase compulsiva do meu passado, vivo pensando nele.
( ) O ambiente ao meu redor é muito importante para mim, quero que seja especial.
( ) Sinto absorver com facilidade os sentimentos de um grupo, a ponto de "perder-me".
( ) Mesmo nos relacionamentos íntimos, luto contra inveja e ciúmes para não ficar só.
( ) Às vezes sinto tantas emoções ao mesmo tempo, que me confundo para expressá-las.

C-E5
( ) Não sei entrar em "papo furado" muito bem. Prefiro papos com conteúdo.
( ) Tenho tendência para deixar os outros tomarem a iniciativa, prefiro observar.
( ) Tenho dificuldade em pegar ou pedir por aquilo que preciso, acabo me "resolvendo".
( ) Mal com os outros ou comigo mesmo, penso neles como: tolos, estúpidos idiotas etc.
( ) Aprecio planejar projetos mas, posso perder o "pique" qdo começo a trabalhar neles.

C-E6
( ) Acho muito difícil ir contra o que uma autoridade diz.
( ) Demoro muito para tomar decisões porque quero explorar a fundo todas as opções.
( ) Gosto de estar bastante certo antes de agir e exijo obediência e disciplina.
( ) Parece que percebo perigos e ameaças mais do que os outros, sou bom nisso.
( ) Prudência é uma virtude muito importante para mim.

C-E7
( ) As coisas sempre acabam se resolvendo da melhor maneira possível.
( ) Quase sempre dizem que dou vida às festas e reuniões informais!
( ) Minha teoria é: "Se alguma coisa é boa, mais é melhor"!
( ) Gosto de tornar as coisas "geniais" e agradáveis. Em geral as torno!
( ) Tenho tendência para pular de uma coisa para outra sem me aprofundar em nenhuma.

PARA VOLTAR AO ARTIGO

 

 

 

SOBRE O NASCIMENTO DO EGO

Recentemente descobri a tradução de um livro (The Drama of the Gifted Child - está nas indicações) que havia lido há alguns anos. Relendo o livro, - também citado no artigo do Antonio Barbato no Enneagram Monthly: From Essence to Birth of Ego - senti que a importância das emoções na construção da personalidade (ego) pode não ser facilmente percebida e aceita pela maioria de nós. É difícil conseguir "independência" para não "julgar" os pais! Lembre-se entretanto que eles sempre foram tão humanos quanto nós, e, nos amaram como sabiam...

Resolvi resumir aqui alguns pontos importantes que, indiretamente abordados na literatura do Eneagrama, não me parecem de fácil assimilação.

Esses pontos são:

- O ego não foi formado racionalmente. Os pensamentos tiveram um papel muito secundário. Assim, somente trabalhando com nossas emoções poderemos atingir algum sucesso no crescimento pessoal. Nosso lado racional estava apenas começando a se desenvolver quando estabelecemos o ego.

- É muito difícil acessar a profundidade da solidão e do abandono aos quais a maioria de nós foi, e ainda é, exposto. Não estamos falando de crianças que foram abandonadas, agredidas ou sofreram abusos. Estas crianças sabiam claramente o que as machucou. Estamos falando de crianças que tiveram pais normais e dedicados, crianças que cresceram e desenvolveram habilidades, crianças que foram elogiadas pelos seus sucessos. Como foram, o orgulho de seus pais, essas crianças deveriam ter uma auto-estima sólida e um sentimento forte de valor pessoal. Entretanto, o oposto é muito mais comum. Essas crianças aprenderam a excluir sentimentos inaceitáveis. Como é impossível excluí-los, a criança, continua, como adulto a tentar expressar sentimentos que foram "excluídos" um dia. Isso ocorre inconscientemente porque o contexto original da exclusão não é consciente.

- Vamos dar três exemplos - idéias originalmente no artigo do Barbato - aplicando o que foi comentado acima ao E2, E3 e E5. É importante notar que, detalhes muitas vezes não considerados "drama" para um adulto, podem ter sido de vital importância para a criança. A idéia central desta análise é a de que o desenvolvimento da criança se dá de maneira pulsante. Ela reage ao ambiente com processos de expansão e de retraimento, testando-o para adaptar-se.

O "drama" da criança E2

A criança E2 sentiu-se abandonada, por exemplo, devido a necessidade que sua mãe tinha de trabalhar para ajudar no sustento da casa. Ela sentia muita dor ao ser abandonada mas, ao mesmo tempo tinha a sensação que sua mãe sentia prazer com o seu desespero. Podemos quase assegurar que a mãe não faria isso por crueldade, muito pelo contrário. Seu prazer vinha em sentir a força do sentimento do filho por ela e da validação emocional que isso proporcionava a ela. Assim dá para entender que a criança E2 não só é autorizada como incentivada a demonstrar seus sentimentos.

Acontece que, crescendo assim, em algum momento, já com 5 ou 6 anos, esta criança tem alguma "explosão" emocional com a mãe. Nesse momento, a mãe transmitiu ter sentido tanta dor que a criança sentiu um surto de medo e culpa que a levou a reprimir sua tristeza e sua necessidade profunda de intimidade. O que os E2 sentem particularmente difícil é reconciliar a imagem de uma mãe "guerreira" que lhes deu liberdade com a da rival que sentia ameaçada pela criança. Em muitos casos, a criança busca atenção e tratamento especiais do "pai" de sexo oposto, para não parecer ameaçadora ao "pai" de mesmo sexo. Assim, tratar-se com o mesmo carinho e, gostar de si como gosta de criança, parece ser um bom caminho para os E2.

O "drama" da criança E3

No caso da criança E3 o drama vem do completo desdém pelos sentimentos, necessidades e expectativas da criança. Mais especificamente, o ambiente emocional da criança E3 não permite autonomia emocional. A criança é encorajada a abandonar suas mais profundas necessidades em troca das necessidades e expectativas dos pais. Isto é feito convencendo a criança E3 de que ela não está abrindo mão de nada porque, os valores que se espera que ela aceite e absorva são retratados como "o melhor" que qualquer pessoa pode humanamente desejar. Comprimida desta maneira, a 'máscara" gruda tão firmemente durante o desenvolvimento da criança que cria um falso "eu".

Apesar da rejeição de necessidades e sentimentos, esse processo de compressão deixa a força vital, o "grito primitivo" intacto! Esta força só pode ser controlada por uma despersonalização defensiva que separa o "eu" daquilo que é sentido no fundo do ser. Enquanto se despersonaliza para não sentir a verdade, a adaptação do E3 conduz ao engodo de aceitar sua própria realização, com base em uma realidade imposta por outros. A força coesiva dessa cilada é tão grande que, muitas vezes, os E3 nem percebem a diferença entre o que eles realmente querem e o que eles pensam que querem. Eles enganam a si mesmos antes de enganarem os outros!

Para contrabalançar o desdém que sofreram, os E3 precisam se convencer que seu maior sucesso está em conquistarem a si mesmos. Deixar sua criança interior enxergar com seus próprios olhos e falar com sua própria voz é um enorme desafio para os E3 mas pode ser a única maneira de resgatar seu mundo interior.

O "drama" da criança E5

A criança E5 normalmente recebeu muito. Recebeu o que os adultos queriam que ela recebesse e não o que ela queria. Assim ela teve a sensação de não ter recebido o suficiente e, ao mesmo tempo, seu ambiente a condenava quando ela ousava pedir mais. A criança percebeu claramente a mensagem de que, fosse o que fosse que ela estivesse recebendo, já era muito. Essa sensação "quebrou" o instinto de expansão da criança, forçando-a a proteger seu "eu" mais vital trazendo-o para trás de um muro de silêncio e frieza.

A criança, carente, além de ser silenciada e obrigada a abrir mão da esperança de ser amada, sente-se compelida também a renunciar aos seus próprios sentimentos porque, caso contrário sua sobrevivência pode ser ameaçada.

Como o instinto de expansão nunca pode ser completamente aniquilado, a necessidade de encontrar um lugar onde ela possa finalmente expressar-se motiva a busca, ao longo da vida do E5, pelo seu "paraíso". Encontrar alguém digno de confiança, para poder acessar seu santuário secreto mais profundo, pode ser um caminho para alguns E5.

 

 


 

CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O ENEAGRAMA
(Esta é uma tradução parcial de um trecho que gostei do "afterword" do livro
"Personality Types" - ótimo - do Don Riso, não publicado no Brasil)

Encarar o mundo, e, despido e indefeso encarar a terrível insegurança da existência humana é uma situação esmagadora para qualquer um estar. Cada um dos tipos de personalidade tenta esconder de si mesmo a percepção completa da insegurança de sua existência de uma maneira diferente. Cada tipo adota diferentes estratégias para inflar seu ego como uma defesa contra essa solidão e insegurança.

O paradoxo é que não podemos fazer nada além de nos defender da total consciência de nossa existência. Os seres humanos estão ameaçados pelo mistério de sua existência quer afirmem-se com esperança ou recolham-se em desespero. O mais triste é que se cada tipo de personalidade inflar seu ego e forçar suas defesas ao extremo, trará destruição para si mesmo. Muita abertura para a vida pode nos "queimar", pouca nos destruirá de dentro para fora. Excesso de liberdade é tão assustador como falta total de liberdade.

De qualquer maneira, ansiedade existencial parece ser a resposta apropriada para seres que estão conscientes de sua própria mortalidade. Nós trememos aterrorizados quando percebemos que estamos na verdade parados na beirada do abismo de ser.

Parece só haver uma saída: ter esperança de encontrar um significado para nossas vidas, um significado que nos conecte com algo real além de nós mesmos.

Entretanto, estamos na impossível posição de tentar encontrar um significado para nossas vidas sem sermos capazes de conhecer nossa vida como um todo. Não há maneira de saber com certeza qual é esse significado, sem ser capaz de sair fora desta vida para encontrar seu contexto final.

Porém, sair fora desta vida só pode ocorrer no momento da morte, quando esta vida terá chegado a um fim. Neste momento, nós seremos aniquilados ou descobriremos que ainda existimos. Caso ainda existamos, saberemos se nossa vida teve algum propósito e qual foi ele. Muito do mistério e da tragédia de nossa existência vem devido a não podermos saber com certeza o significado de nossa vida antes desse momento decisivo.

Apesar da razão final de nossa vida ser misteriosa, ela afeta cada momento que vivemos. O que nós acreditamos como sendo o significado da vida influencia nossos valores e cada escolha que fazemos. Considerando essas realidades, nos movemos do psicológico para o metafísico onde o contexto humano terá ou não terá significado.

Pode ser que a existência humana seja "absurda" porque não há um contexto pessoal final, somente uma reciclagem sem fim de matéria e energia em um universo impessoal. Ou pode ser que o contexto final da vida humana seja pessoal, que existe um "Deus" cuja existência é a própria razão para a nossa. Isto é, ou não é, não havendo maneira de sabermos qual é verdadeiro enquanto ainda estamos vivos. Esta é a razão pela qual o significado da vida sempre envolve o conceito de "fé", quer chamemos assim ou não.

Não podemos viver sem algum tipo de crença. Se não temos fé em "Deus", precisamos ter fé em alguma outra coisa. Porque não podemos viver sem um significado, sem referência com algo fora de nós mesmos, nós inevitavelmente criamos "ídolos" como substitutos para a fé na transcendência e no significado que ela nos dá.

Claro que o ídolo universal supremo é o orgulho, o ego inflando-se e tentando ser a causa de sua própria existência, tentando achar seu significado com os seus próprios recursos. Cada uma das personalidades descritas no Eneagrama é tentada a usar compulsivamente um tipo particular de orgulho como uma maneira de defender-se das ansiedades envolvidas na sua existência.

A tentação do Nove é acreditar que a tranqüilidade é um valor maior;
a do Oito é acreditar no seu próprio poder;
a do Sete é acreditar que possessões materiais o realizarão;
a do Seis é acreditar na segurança proporcionada pelas outras pessoas;
a do Cinco é acreditar que o conhecimento é um fim em si mesmo;
a do Quatro é acreditar na sua liberdade para fazer o que quiser;
a do Três é acreditar na sua própria excelência;
a do Dois é acreditar na sua própria importância e,
a tentação do Um é acreditar na sua própria retidão.

Apesar de serem tentações características de cada um dos tipos de personalidade, elas são nossas próprias tentações também. Se existe algo para aprender estudando os tipos de personalidade é que, apesar de legitimamente procurarmos pela felicidade através da realização pessoal, nós normalmente procuramos erradamente.
Cada tipo de personalidade cria uma espécie de profecia auto-realizável, trazendo para si aquilo que ele mais teme e, por outro lado, perdendo o que mais quer, na sua busca pela felicidade. Se, quando buscamos a felicidade, nós inflamos nosso ego as custas de valores mais profundos, podemos estar certos de falhar em nossa busca.

Alimentar o ego as custas do que é genuinamente bom é tolice, levando-nos para um emaranhado de bens, falsos bens e ídolos. Cada tipo de personalidade contém em si mesmo a fonte de sua própria decepção a qual, se enfatizada, nos tira invariavelmente da direção da nossa real realização e mais profunda felicidade. Esta é uma lei irrevogável da psicologia humana, da qual nós precisamos nos convencer se quisermos ter coragem para procurar pela felicidade no lugar certo e da maneira certa.

Observando cada um dos tipos de personalidade como um todo, aprendemos o que podemos esperar caso inflemos o ego as custas de outros valores.

Forçando os outros a amá-los, os Dois terminam sendo odiados.
Engrandecendo-se, os Três acabam sendo rejeitados.
Seguindo somente seus sentimentos, os Quatro acabam desperdiçando suas vidas.
Impondo suas idéias sobre a realidade, os Cinco terminam desligados da realidade.
Sendo muito dependentes dos outros, os Seis terminam sendo abandonados.
Vivendo para o prazer, os Sete acabam frustrados e insatisfeitos.
Dominando os outros para terem o que querem, os Oito acabam destruindo tudo.
Acomodando-se demais, os Nove tornam-se conchas subdesenvolvidas e fragmentadas.
Tentando perfeição sem sensibilidade humana, os Um acabam pervertendo a própria sensibilidade.

A saída dessas inexoráveis conclusões é se convencer que apenas transcendendo o ego podemos ter esperança de encontrar felicidade. Como a sabedoria sempre reconheceu, apenas morrendo para nós mesmos é que encontramos a vida.

Assim, uma lição paralela pode ser tirada dessas páginas, uma que chamamos a lei da retribuição psíquica. Nós não devemos esperar punição de Deus pelas nossas más ações. Ao contrário, devido à nossa natureza psíquica nós trazemos a punição para nós mesmos porque pagamos um preço por cada escolha que fazemos.

O preço que pagamos pode não ser imediatamente aparente, e por essa razão é tão fácil nos enganarmos que não haverá conseqüências para nossas ações. Mas o custo para nós estará sempre no tipo de pessoa que nos tornamos. Pelas nossas escolhas nós nos construímos e moldamos nosso futuro, quer seja de felicidade ou de infelicidade.

Como, então, devemos agir para transcender nosso ego ? O que nos motivaria a fazer isso ? Como poderemos saber o que nos tornará realmente felizes ?

As pessoas sempre procuram o que elas pensam que será melhor para elas, mesmo que elas errem na escolha. Alguns buscam riqueza, outros, fama, outros, segurança, cada qual desejando possuir aquilo que ele ou ela pensam que trará felicidade. Mas, a não ser que encontremos o que é realmente bom procurando o que realmente precisamos, nós vamos sair na perseguição do que desejamos até sermos distraídos por bens meramente supérfluos. Se as pessoas concentram-se em superficialidades, elas transformam seus objetos de desejo em ídolos que não podem satisfazê-las. Então elas sofrem e não sabem porquê.

O que é estranho é que, em nossa busca da razão da vida, nós estamos na difícil situação de buscar o que é realmente bom para nós, sem um entendimento claro do que é. Cada tipo de personalidade tende a buscar, o que ele pensa que é bom para ele, nos lugares errados, da maneira errada, ou ambos.

O Dois pensa que será feliz se for amado (ou adorado) pelos outros,
o Três se for admirado pelos outros,
o Quatro se ele for totalmente livre para ser ele mesmo,
o Cinco se ele tiver certeza intelectual,
o Seis se ele tiver absoluta segurança,
o Sete se ele possuir tudo que quiser,
o Oito se tiver as coisas da sua maneira,
o Nove se ele puder "fundir-se" com alguém, e
o Um se ele for perfeito.

Todas essas estratégias falham porque elas, apenas aspirações parciais, foram eleitas para principais (únicas verdadeiras) aspirações na vida.

Como, então, pode o Eneagrama nos ajudar a encontrar o que é realmente bom para nós? A resposta é simples: mostrando que, a necessidade genuína de cada tipo de personalidade está na sua direção de integração (que é o sentido oposto de cada seta).

A dificuldade é que, antes de podermos nos mover na direção de integração, precisamos nos transcender (transcender nosso ego). Nós precisamos estar dispostos e sermos capazes de ir além do ego, alcançar algo mais, alguns valores fora de nós mesmos.

Essa autotranscendência é difícil e amedrontante porque envolve entrar em território desconhecido, sentindo, agindo e relacionando-se de maneiras estranhas à nossa personalidade, contrárias aos nossos hábitos de até então, em contraposição às nossas antigas atitudes e identidade, começando a superar as deficiências da nossa infância. De certa maneira é uma espécie de renascimento, tornando-se uma nova pessoa que está aprendendo a deixar as velhas maneiras de ser para trás e "rompendo" em um novo mundo.
Pois é isso que cada tipo de personalidade precisa fazer se quiser algum dia encontrar a felicidade verdadeira.

O 2 precisa superar a tendência à autodecepção com a autocompreensão do 4 saudável;
o 3, precisa superar a inveja maliciosa dos outros caminhando para a lealdade do 6;
o 4, superar a autodestrutiva subjetividade com a objetividade e autodisciplina do 1;
o 5, superar sua auto-anulação movendo-se para a coragem do 8;
o 6, superar suas suspeitas dos outros movendo-se para a receptividade do 9;
o 7, superar sua impulsividade movendo-se para o envolvimento do 5;
o 8, superar seu egocentrismo movendo-se para a consideração pelos outros do 2;
o 9, superar sua complacência movendo-se para a ambição do 3;
o 1, superar sua inflexibilidade movendo-se para a produtividade do 7.

Em resumo, aprender a transcender o ego nada mais é que aprender a amar. Somente o amor tem o poder de nos salvar de nós mesmos. Até aprendermos a amar verdadeiramente a nós mesmos e aos outros não há possibilidade de felicidade duradoura, paz ou libertação (redenção). É por não nos amarmos verdadeiramente que nos perdemos tão facilmente nas diversas ilusões e tentações que o ego nos apresenta.

Isto é o que a psicologia precisa levar em conta para tornar-se menos estéril. Na verdade era esse o objetivo de Freud: ajudar as pessoas a trabalhar e amar. A psicologia moderna parece ter perdido a visão disso.

Obs.: Neste ponto o autor faz comentários sobre os rumos da psicologia que considerei desnecessárias para o objetivo desse texto. Continuamos com os parágrafos finais.

A psicologia, livros de auto-ajuda, e o Eneagrama não podem nos salvar. Eles não podem nos tornar genuinamente felizes ou, pelo menos, felizes por longo tempo, porque eles nos mostram visões parciais da natureza humana, cada um caminhando para a verdade da sua maneira limitada. Claro que podem nos ajudar a ficarmos mais perceptivos sobre o que temos medo e sobre as fontes regulares de nossas infelicidades. A psicologia pode nos ajudar a descobrir como nos comportamos, o que tipicamente desejamos e o quanto esse desejo nos conduz para conflitos e ilusões desnecessárias.

Apesar de serem complicados e sutis, os tipos de personalidade delineados no Eneagrama são, na verdade, nada mais que reflexos puros da natureza humana. Apesar do seu valor para nos entendermos mais objetivamente, o Eneagrama não nos poderá dar a resposta final sobre nós mesmos, isto é outro assunto. Ele não é mágico e não pode nos transformar em seres humanos perfeitamente realizados.

Porém, ajudando a nos entendermos como realmente somos no "nosso melhor" e no "nosso pior", o Eneagrama reafirma algumas antigas percepções sobre a natureza humana. Finalmente, ele é apenas uma ferramenta, algo útil até certo ponto e portanto, deve ser deixado de lado em favor do que não pode ser expresso sobre a natureza humana.

 

VOLTAR